#5

O desejo veio suave, como uma memória que o corpo nunca esqueceu. Não do tipo que arde como fogo imediato, mas como algo que aquece aos poucos, feito calor sob a pele em uma manhã morna. Era como se, mesmo distante, ele ainda soubesse exatamente como tocá-la. Lembrava-se do jeito como suas mãos percorriam seus seios — não apenas apertando, mas descobrindo. Os mamilos endurecidos sob o toque, cada arrepio desenhando caminhos invisíveis por sua pele. Sentia-se viva sob seus dedos. Às vezes bastava isso: a atenção silenciosa, o modo como ele a observava, como se ali houvesse algo sagrado também. Enquanto ela o acariciava, havia sincronia. Seus dedos envolviam o sexo dele com firmeza e suavidade, e a cada movimento, ele reagia — um suspiro contido, o quadril que cedia, os olhos semicerrados. Era uma dança sutil entre entrega e domínio, onde nenhum som se perdia, nenhum gesto era excessivo. Ela ainda guardava, com um carinho quase dolorido, a lembrança do chão frio da cozinha. De quando se ajoelhou ali, com os joelhos levemente marcados e a respiração ofegante. Ele, encostado à bancada, tentava conter os sons, o prazer pulsando sob a pele. Ela abriu seu short com delicadeza, quase como quem desvela algo precioso. A pele quente, o membro pulsante, a ansiedade entre os dedos. O gosto, ainda vívido na memória, era como um vício antigo que nunca se superou. Mas havia mais. Havia o que não viveram. A cena que ficara apenas no desejo: ela montada sobre ele, apoiando-se na beira da mesa, os corpos alinhados como se tivessem sido feitos um para o outro. Seu interior o engolindo devagar, sentindo cada centímetro com um arrepio novo. Ele, com as mãos firmes em sua cintura, guiando o ritmo sem pressa, como quem quer sentir — não só possuir. Era fácil imaginar o movimento: ela subindo e descendo, lenta, os músculos das coxas tensionados, o calor se espalhando por dentro, o sexo dele brilhando com sua própria umidade. A pele arrepiada. A respiração irregular. Nada precisava ser dito. Era só o som do desejo sendo vivido em silêncio, entre dois corpos que sabiam exatamente onde se encontravam. E mesmo que tudo aquilo pertencesse à lembrança ou à fantasia, ainda pulsava. Porque certas experiências ficam gravadas não na memória, mas na pele.

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